Segunda-feira, 25 de Outubro de 2004

MÉDICO OU CAPELÃO?

Med.JPG

Do ponto de vista humano, percebo o besugo naquilo que conta da mentira que anda a pregar ao César. Percebi e emocionou-me. Compreendi o homem que existe vestido na bata de médico. Tanto percebi o besugo que, de caras, afirmo que, com a maior das probabilidades, faria exactamente o mesmo. Não seria capaz de cortar a alguém, de uma rajada, o sonho do projecto de viver.

Mas, eu não posso comparar aquilo que não é comparável. Eu não sou médico. Eu tenho uma liberdade (para o caso, de mentir aquela mentira) que o besugo não tem. Ou um direito, se se preferir – o direito de compaixão.

Acredito que o besugo seja um excelente profissional. Até porque a sua dimensão humana deve ajudar isso em 99% dos casos. E quando soube que ele exerce numa região onde por lá andarão montes de primos meus de que perdi o rasto do contacto, senti-me mais confortável para o caso de algum deles lhe amparar o gabinete da SA onde labuta. Mas, se caso me calhasse uma situação parecida à de César, direi que preferia encontrar outro médico. Alguém que, não abusando do acesso profissional ao meu diagnóstico de horizonte de vida, me dissesse a verdade, em vez de uma mentira piedosa. Porque se, um dia, necessitar de uma mentira piedosa, irei ter com um padre ou com um amigo. Tê-la num hospital é recorrer à ciência para se ser tratado por um médico e sair um capelão na rifa. Um engano, pois. E abuso de poder.

Parágrafo adicional por julgado oportuno: Obviamente que a gravidade da mentira do besugo se esbate quase totalmente por ser conhecida através de uma confissão voluntária e só explicável por uma necessidade de auto-justificação, o que indicia que há um drama de conflito na sua sombra. Pior, muito pior, são os mentirosos não confessos, cobardes portanto. E desses está o mundo cheio. A mentira médica do besugo, por exemplo e quanto a gravidade, não é comparável com a mentira de se escarrapachar que há frango por um guarda-redes não ter defendido um livre indirecto em que a bola entrou directamente na baliza. Esta última mentira, isso sim, é inapelável e a merecer confissão a capelão ou, mais qualificadamente, talvez ao Frei Melícias que é prior na mesma paróquia. Ai estes catedráticos da bola!

Adenda: Não, caro besugo, não se explicou bem. Pelo menos, para a minha vagarosa e tortuosa capacidade de compreensão. Assim, com o segundo post, está mais claro. E a volta que deu ao frango, essa foi divinal (uma enguia, em boa forma, não conseguiria melhor). De qualquer modo, tudo nos conformes. Agora. Mas não gostei mesmo nada, zangado estou, sobre uma hipotética “contenção, vá lᔠde lhe decretar “maldição e ameaça de cadeia”. Porque, no mínimo, suja-lhe a bata (se fosse batina, talvez não se notasse, mas não é). Adiante. Limpe-se, se quiser. Sobre a sua “inveja” a “ambos por saberem tão bem aquilo que quereriam saber, se a vez deles chegasse”, aqui merece dois comentários: a) não tive pacto de sociedade na reacção, portanto pode e deve retirar o “ambos” e a pluralística resposta; b) não tenho (alguém tem?) certezas sobre nenhuma das minhas fragilidades futuras e por isso mesmo é que treino, hoje, a coragem para amanhã.
publicado por João Tunes às 13:22
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