Terça-feira, 19 de Outubro de 2004

A ATRAÇÃO TURCA

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Tenho defendido a necessidade de um verdadeiro debate sobre a adesão da Turquia à UE. Embora a minha posição seja conhecida e a tenha fundamentado, o mais grave que se me apresenta nesta questão é que ela seja adquirida como um facto consumado, decidida em Bruxelas e toca a andar. Porque a adesão representará, pelo menos, uma alteração profunda na identidade, na cultura e na coesão europeia. E este debate, como qualquer outro, deve-se fazer sem preconceitos, serenamente e sem o hooliganismo político de se etiquetarem divergentes como xenófobos, neo-cruzados e por aí fora. Porque então não faltariam etiquetas também bem pouco abonatórias para espetar no lado contrário. E assim não se passaria da crispação das claques. Venha o debate. Com argumentos, se possível. Se fundamentados, tanto melhor. E com direito ao imprescindível contraditório para que o simulacro não se transforme numa charla.

O amigo João Carvalho Fernandes apresentou no site do PND cujas opiniões expressas não vinculam este partido os seus argumentos de receptividade à adesão condicional da Turquia à União Europeia. Vale a pena ler porque, finalmente, há argumentos em cima da mesa da parte de um pró-turco e que vai além do lugar comum do salamaleque às decisões de Bruxelas. Embora o JCF não tenha evitado algumas faltas de rigor que, no seu blogue, já comentei.

Entretanto, soube pelo Tugir que ”em boa hora, o Instituto Francisco Sá Carneiro promove, na próxima quarta, um debate sobre a Turquia no Hotel Tivoli, em Lisboa”. A coisa interessou-me e fui ver qual o programa do debate. Então é assim: estarão lá a intervir a Embaixadora da Turquia, o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, um funcionário do Parlamento Europeu e umas tantas personalidades conhecidas pelas suas posições atlantistas e pró-turcas. Debate isto? É o que se chama ser mais papista que o Papa, tanto mais que o próprio Instituto Sá Carneiro não chega a tanto, chamando à iniciativa “Adesão da Turquia à União Europeia”, ou seja, trata-se de uma promoção da coisa. Quase uma celebração. Quando se confunde apologética com debate, alguma coisa anda mal no produto que alguns, a toda a força, querem que se compre sem se discutir o mérito, a qualidade e o preço.
publicado por João Tunes às 13:22
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2 comentários:
De Joo a 19 de Outubro de 2004 às 16:55
Segue já emenda, mas o erro derivou de ver a designação do PND no cimo. As minhas desculpas cometidas por ignorância das vossas subtilezas partidários. Abraço.


De Joo Carvalho Fernandes a 19 de Outubro de 2004 às 16:36
Relembro só que o Democracia Liberal é um órgão não oficial do PND.É um espaço de Liberdade onde são explanados diferentes pontos de vista.

Apenas o site do partido é orgão oficial. Assim, apenas o que surge no http://www.pnd.pt vincula o PND.


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