Sábado, 9 de Outubro de 2004

SOFÁ, LAREIRA E FAVAIOS

vavai.jpg

Estava eu preparado para abancar, aproveitando uma cadeira vaga, num bar dos bairros benfiquistas da capital, género tasquinha limpa e bem servida, onde se primam pelas boas maneiras e porte direito a escutar – olhos em alvo - as novas messiânicas como se ouve o fado, armado em fidalgo republicano, quando o besugo, respondendo a uma contra-trica minha, me convida para me sentar à lareira e com ele beber um copo e desancarmos juntos nos descaminhos da fúria privatizadora.

Aceito é claro e arranco já. Até porque o enfado de mim deu conta ao tentar cumprimentar com inocentes metedices um bisonho com falta de humor e dado aos maus fígados, que se me atravessou invocando propriedade societária na tasquinha benfiquista. E de nada valeu desculpar-me do embaraço para me safar da má recepção, dizendo que me enganara e disso pedia desculpa, pois trocara o Colombo com o Fonte Nova, porque no fundo o que eu queria mesmo era ver treinar os craques do meu clube que assenta em relvados naquelas bandas. A desculpa esfarrapada não pegou porque se lhe lia na cara nada amiga a suspeita que eu tentava entrar na tasquinha para roubo de imagens, quiçá dos talheres ou mesmo meter no bolso as fotografias dos donos da casa para as vender a uma qualquer capelista. E a última coisa que me motiva é aturar gente de mal com a vida e que só acha graça às anedotas que conta.

Pois, veio mesmo a calhar, o convite do besugo. Primeiro, porque dar um salto ás terras das minhas bandas, é sempre convite que me comove só de lembrar a oportunidade de matar saudades da minha Sabrosa de origem. Segundo, porque ali a pinga promete e só de pensar num Favaios tomado no quente da lareira, salta-me logo o pé para o caminho. Terceiro, mais importante, gostei de ler os fios do argumentário do besugo que me fizeram esquecer sobre o que é que afinal não estávamos de acordo. E assim, visto e espremido, ficou apenas o pretexto para o serão, falando de tudo o mais, menos o tema que foi tema e sem tocar em futebol para não estragar uma amizade de fresca data e que não está ainda blindada à prova de rivalidades acesas.

Uma dúvida última (ai o meu vício das hesitações) me assalta e me tolhe o pé já pronto para aconchegar o acelerador. O que pensarão os meus patrícios da banda das terras do Torga se me virem no meio dos casarios perguntando onde mora o besugo?.Não corro risco de ser internado à força, como se fosse um mafarrico, num qualquer Hospital, SA lá do sítio? Será, assim, bom negócio lúdico trocar a má cara do sócio da tasquinha benfiquista para ficar com fama de desarranjo na terra que me viu nascer?

Assim como assim, o convite fica registado e sinceramente agradecido. Se Favaios tenho em casa e também manta substituta de lareira, então por aqui me fico, evitando o mau olhado do benfiquista da casa de fados e a vergonha de ir procurar um peixe pelas serranias transmontanas.

Fica para uma próxima oportunidade. Um abraço.

PS – Já agora, um favorzinho: dê cumprimentos meus à senhora lolita e que ela conte sempre com o meu apoio e que, embora pessoa de escassos préstimos, saberes e influências, estou sempre ao dispor para qualquer coisa que ela precisar.
publicado por João Tunes às 22:10
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