Quarta-feira, 6 de Outubro de 2004

BARRETE TURCO

turkish-fez.gif

O estimado Carlos Manuel Castro voltou à questão turca. Para argumentar a favor da integração otomana na Europa comunitária? Não, apenas para pouco mais que afirmar-se como homem sem medo e para martelar numa lógica maniqueísta sobre opções políticas. Diz ele, em substância:

”acreditar numa UE mais forte, a qual não será, seguramente, sem a Turquia, neste mundo globalizado.”

“quem faria, ou fará, as campanhas a denegrir os turcos são os partidos xenófobos e que os cidadãos da União Europeia seriam alvo das suas, dos partidos extremistas, campanhas difamatórias. Num estilo muito próprio, como só o extremismo xenófobo sabe fazer. Aliás, basta abrir um pouco a pestana e notar como estes partidos têm subido nos últimos anos”


Resumindo: venham os turcos, quem está contra são os xenófobos, vira o disco, está feito.

Curdos? Quem são? (são turcos, senhor, mesmo os chacinados; europeus turcos serão)

Arménios? Quem são? (são turcos, senhor, mesmo os chacinados; europeus turcos serão)

Cipriotas do lado ocupado pela Turquia? Quem são? (são turcos, senhor, mesmo os chacinados; europeus turcos serão)

Mulheres turcas? Que direitos? (são turcas, senhor, mesmo oprimidas; europeias turcas serão)

Pois. São mesmo os xenófobos que se preocupam com os direitos dos curdos, dos arménios, dos cipriotas, mais os direitos das mulheres, os direitos humanos, o aprofundamento da democracia, o fim de um regime repressivo e penal feroz, o significado da integração do braço mais armado da NATO no mundo islâmico. Está-se mesmo a ver…

Não creio. Mas acredito que, em grande parte, a xenofobia cresce e alimenta-se (também) da leviandade e simplismo com se quer passar a mão pelo pêlo, cedendo sem exigência, a sistemas e regimes que se eximem a cumprirem com as regras da modernidade e da vivência democrática, convidando-os para dentro de casa sem que cumpram os requisitos mínimos dos hábitos de co-habitação. Se eles não co-habitam decentemente dentro de casa, como o irão fazer no espaço comunitário?

E, caro CMC, a geografia não é tudo mas não pode ser tratada como se fosse uma batata. A Turquia não é Europa (a não ser nos torneios da UEFA…). Foi corrida (derrotada) da Europa com a queda do Império Otomano, exactamente a queda imperial que trouxe a libertação da opressão turca aos países balcânicos, embora por cá tenham deixado heranças de instabilidade (na Albânia, no Kosovo, na Bósnia, em Chipre, na Bulgária). E agora permite-se (ou quere-se) otomanizar a Europa a partir de Bruxelas? Não, obrigado. Primeiro modernizem-se, depois apareçam. Porque a Europa merece melhor destino que ser um Museu de Impérios perdidos.
publicado por João Tunes às 11:58
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