Sábado, 2 de Outubro de 2004

AMIZADE

Luis.JPG

O Luís é o meu mais jovem amigo aqui do bairro. Agora usa bem os seus cinco anos desenrascados mas conheço-o desde que usava colo.

Bem, contando a verdade, o Luís pertence à categoria daqueles amigos induzidos, quer dizer, arrastados por outros. Aconteceu que, por causa das simpatias provocadas pelo meu cachorro, me fiz amigo do meu vizinho Miguel, irmão do Luís, mas que hoje é um calmeirão ao nível dos seus oito anos. Uns tempos atrás, o Miguel, então com quatro anos, foi à bola com o meu cachorro e teve o à vontade de mo pedir emprestado para dar umas voltas. Eu concordei porque achei que entre eles havia uma empatia que não me competia contrariar. E foi assim que o Miguel se transformou no melhor amigo do meu cachorro e eu, de boleia, tornei-me amigo do Miguel. Diga-se de passagem, que o Miguel também passou a ser meu amigo e, estivesse eu onde estivesse, o Miguel largava as suas brincadeiras para me cumprimentar. Perguntando-me sempre pelo cachorro, diga-se de passagem.

O Miguel foi crescendo e hoje é um responsável estudante, com menos tempo para brincadeiras e, assim, menos disponível para atender à companhia do meu cachorro. Quanto ao Luís, passando do colo para os pés no chão, foi-se pendurando no irmão e, a pouco e pouco, substituindo-o na companhia e folia com o meu cachorro. Até que se tornou seu substituto integral. No relacionamento com o cachorro e comigo.

Conversamos sobre o nosso clube, vou acompanhando as suas proezas e desditas, sobretudo no que se refere às mazelas dos trambolhões de bola e patins. Agora mais com o Luís, porque, como disse, o Miguel virou estudante aplicado nos seus afazeres e responsabilidades. Quando os vejo em folias próximas do meu raio de acção, sobem-me as manias protectoras e vigio-lhes os limites do risco. E, quando é preciso, imponho-me como amigo mais velho. E vou trocando com a mãe e a avó deles (duas simpatiquíssimas angolanas do Huambo) impressões sobre os pormenores de percurso dos meus dois jovens amigos.

Devo ao meu cachorro estas amizades que são das mais gratificantes que tenho. Sobretudo por causa dos sorrisos escancarados e que não encontro em mais nenhum outro, sorrisos estes que eu gostava bem de apetecer-me ter, mas vai-me bastando, uma vez por outra, pedir-lhos emprestados. Mas não abuso, a eles fazem mais falta para se fazerem à vida.
publicado por João Tunes às 00:02
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3 comentários:
De Werewolf a 3 de Outubro de 2004 às 04:10
Deliciosa esta história em torno da amizade e das empatias que se geram quando não há preconceitos. Bravo João! É com estas pequenas grandes histórias que começo a ganhar vontade para escrever qualquer coisa de vez em quando. Obrigado.


De Margarida A. a 3 de Outubro de 2004 às 02:06
Cachorro é o melhor agente de relações públicas!


De mfc a 2 de Outubro de 2004 às 16:15
O nosso cão é um verdadeiro cartão de visita.
Quem se dirige a um deconhecido e entabula conversa? Não fica bem...
Mas se lhe perguntarmos pelo cão, quantos anos tem, a ração que come, todos os tabus desaparecem e a conversa prossegue amena...


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