Quinta-feira, 23 de Setembro de 2004

NILO E SINAI (13)

Egipt_13.JPG

Os egípcios riem-se quando falamos do Deserto do Saara. Porque saara quer dizer deserto (apenas). Aquilo que nós chamamos Saara, eles chamam Grande Saara (ou Saara Central). E saaras há muitos. No norte de África, o deserto costeiro (prolongamento do Grande Saara até ao Mediterrâneo) vem, no sentido ocidente-oriente, desde a parte mais oriental da Tunísia, ocupa toda a Líbia e atravessa o Egipto até ao fim do Sinai (para depois continuar pela Ásia dentro).

Não fosse o Nilo, o Egipto seria como a Líbia – uma imensa extensão desértica, pintalgada de alguns pequenos óasis nas zonas de depressão, com toda a vida e actividade concentradas na costa mediterrânica.

Mas um rio, um grande rio, arrasta as águas desde as zonas pluviais de África e rasga o deserto para ir abraçar o Mediterrâneo. Resultado primeiro: enquanto a Líbia não passa dos três milhões de habitantes, o Egipto vai nos setenta milhões e com tendência para aumentar.

Os fascínios oferecidos pelo Nilo são vários. Primeiro, o contraste entre o seu curso (por vezes caudaloso) de água azul e as margens do deserto mais árido, apenas pontuado de vida na estreita faixa em que alguma água irriga a terra. E onde isso acontece, a vegetação é profusa e a vida animal é farta. Depois, as marcas de monumentalidade civilizacional que sublinham as margens e as suas ilhotas. Terceiro, os milhões de seres humanos vivendo dele e por ele. Mais os que procuram a ventura de o conhecer e guardarem dele a lembrança na retina.

Para os antigos egípcios, o deserto ocidental que ladeia o Nilo (o deserto líbio) era fonte de perigo (ataque dos berberes líbios) e morada para os mortos pois era sempre lá que se enterravam os corpos na espera da vida eterna.

Quanto à margem oriental, mais protegida porque a costa do Golfo do Suez não lhe fica longe, embora igualmente desértica, era o local preferido para se habitar enquanto vivo.

Duas margens e dois desertos - um como reino de mortos e outro como abrigo de vivos. E um rio ao meio a quem tudo se deve e quase tudo se agradece. O que não evitou cometimento de pequenas e médias delinquências e mesmo malvadez grossa para com ele. Mas isso é outra história dentro da história da forma como o homem lida com a natureza. Lá iremos.

(Foto de Pedro Tunes)
publicado por João Tunes às 11:50
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