Sexta-feira, 29 de Outubro de 2004

MELHOR ASSIM

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Sim. Melhor assim. Olhar o mar em abrigo com boa vista. Tempo antipático este. Chuva batida por vento, irrita. Irrita mesmo. Irrita sobretudo. Mesmo o sol quando espreita, parece que não é sol, mas um intervalo. E tudo em meias-tintas. Que nada é. Verão que se foi, Outono de raspão, Inverno só de ameaça. Até o clima parece timorato num mundo adiado em decisões. Modernices. O que se esperava? Com a enxurrada dos valores, foi-se a coragem. Macaquinho de imitação este raio de tempo. E resolveu tirar-me, de uma assentada, as minhas estações preferidas – Primavera e Outono. Se formarem um Partido do Tempo, eu inscrevo-me como “quinta coluna” e vou passar o tempo todo a dizer mal dele. A culpa não é minha, é do tempo.
publicado por João Tunes às 14:36
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ESCONJURO DO DÓLAR

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A revolução é o caminho da santidade para o altar do homem novo. Ai dos que fiquem pelo caminho, vacilem ou duvidem. Dar-lhes-ei uma boa dose de purgatório. Tenho masmorras para todos.

A hora é dos crentes e dos amigos dos crentes.

O dólar é obra do demónio. Eu vou prender o dólar. Mais, vou fuzilar o dólar.
publicado por João Tunes às 13:29
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2004

EXERCÍCIO

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Imaginemos que a Turquia já faz parte da União Europeia. Logicamente, tinha direito a Comissário. Num pelouro condizente com a sua dimensão. E, com toda a probabilidade, seria muçulmano.

Imaginemos que esse Comissário abria o seu pensamento sobre o casamento, o papel e os direitos das mulheres. Logicamente, ia sair Corão na sua leitura nunca modernizada, porque o bom muçulmano segue-o na sua versão datada.

Depois desta história do Comissário “candidato” Rocco, o que aconteceria ao desgraçado do turco? Ou então, alguém me explique que os tais dez a quinze anos para a Turquia ser integrada na UE é o prazo considerado razoável para que o islamismo proceda à sua modernização.
publicado por João Tunes às 18:52
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2004

EDUARDO LOURENÇO

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Ler Eduardo Lourenço é um teste à capacidade de meditar. Raramente, indica soluções e atalhos. Ele complexa o simples para que se veja à frente do nariz. Não nos facilita a vida se tivermos pressa em agarrar num slogan para irmos à manif. Estava tramado se entrasse no Bloco, porque atrasava o programa das performances, ou noutros sítios onde o Secretário tem sempre razão e a militância é uma coisa porreira para ficar no retrato a dizer que sim.

Hoje, no Público (*), Eduardo Lourenço reflecte sobre a eventual adesão da Turquia à União Europeia. E convida a pensar.

(*) – não encontrei o artigo na versão on-line
publicado por João Tunes às 17:33
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AUGUSTO CASTRO E SARAMAGO? ELE AINDA É PIOR!

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O DN está pelas ruas da amargura. Nunca se recompôs da sina de jornal oficioso do regime. Tirando um ou outro parêntesis. Nem a santa privatização lhe valeu. Do controlo estatal - estatal mesmo - ao controlo estatal - Santana/Delgado/PT - foi um passo de caracol. Tudo como dantes, quartel na Avenida da Liberdade.

O Delgado está a afirmar-se como um comissário duro. Ou controla ou mata.

Quem se ri disto tudo é o Belmiro. Ena pá, ele que é dono de tanta coisa, agora até o é do jornal da oposição. O homem mais rico é agora o homem do contra. Capitalismo tardio contra o capitalismo de regência. Tarda nada, acordamos e estamos a viver na República Popular da Sonae. Com o José Manuel Fernandes em director do Avante depois de Belmiro Azevedo ter comprado este jornal para ajudar ao centralismo democrático.
publicado por João Tunes às 16:25
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IL FRATELLI DI ROCCO

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Fugiste, não fugiste? Fugiste. E deixaste-nos com o Santana a brincar às governações, não foi? Pois foi. Agora amanha-te. Livra-te de cá pores os pés tão cedo. Alguém que te arranje emprego por aí. Por exemplo, ensinares o menino do fontanário de Bruxelas que não se deve fazer xixi numa praça pública.
publicado por João Tunes às 15:00
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GUARDADO ESTÁ O LUGAR?

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Pela imagem, dá para especular que António Mexia foi para ministro mas deixou guardado o antigo lugar de gestor de elite. Não vá o diabo tecê-las?

(foto roubada no fumaças)
publicado por João Tunes às 14:25
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O PROCURADOR BOMBO DE FESTA

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Faz-me confusão a frequência com que se cristalizam embirrações, fulanizando-se as mesmas, com clímax de síntese, num bode expiatório, justificativo de males que só podem ser mais vastos que o poder do tal fulano que saiu na rifa.

Há dois anos atrás, entre nós, a Justiça parecia andar de melhoras em melhoras. Era até um das instituições mais resguardadas da crítica pública. Quando muito, condenava-se o arcaísmo dos meios e a míngua com que os Orçamentos de Estado lhe distribuíam verbas. Um caso houve, António Costa, em que o político que ali ministrou foi largamente elogiado pela modernização reformista que lhe imprimiu. A Justiça era a instituição pilar do regime mais resguardada da suspeita e que melhor passava no exame da opinião da cidadania.

Até que apareceu o processo da Casa Pia e meteu poderosos. Então, num ápice, a Justiça passou a ser a mais atacada das instituições. De repente, os juízes deixaram de prestar, vieram as suspeitas de cabalas, o segredo de justiça deu direito a rios de tinta, comentaram-se excessos prisionais e de aplicação da prisão preventiva, o Procurador Geral da República levou (e leva) tratos de polé e até gente de compostas maneiras o passou a tratar de “gato constipado”, quase nada ficou com direito à dignidade mínima de existir sem suspeita. Da Justiça, salvou-se a advocacia e os comentadores do múnus judicial, olé.

No meio da bernarda e do chinfrim, os poderosos arguidos regressaram à liberdade enquanto aguardam julgamento, escrevem livros, dão entrevistas e retomaram a vida social. Só lá pena o Bibi de baixa condição social. E as coisas acalmaram.

Acalmaram é como quem diz. Ainda haverá julgamento. Tudo leva a crer que sim. Mas sobrou o Procurador. Que continua a ser zurzido pelo que diz e pelo que não diz. Come por estar calado porque devia falar. Come por falar porque mais devia estar calado. O homem parece não acertar uma. Donde se pode concluir que, a julgar pela forma como o apedrejam, quem o nomeou acertou em cheio num tonto sem o mínimo de capacidade e de senso, um autêntico artolas.

E os abusados? Esquece. Quais abusados? Pedofilia? Nem pensar que seja coisa de gente respeitável e que tão mal tratada foi pelo miserável aparelho policial-judicial que temos. Os arguidos (excepto o Bibi, esse sim, um miserável perverso) passaram a vítimas.

Venha o fim do julgamento para ver se as coisas serenam. Depois, tudo restabelecido na devida ordem, é tempo de termos Procurador que não seja bombo de festa. Voltando a ter boa justiça.
publicado por João Tunes às 00:24
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2004

FUMAÇAS

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Penso que o João Carvalho Fernandes não me leva a mal, (re)dizer aqui, que ele é a minha grande referência de exemplo vivo sobre como a lealdade, a solidariedade e a boa estima (o tripé de uma amizade digna desse nome) podem existir entre pessoas com pensamentos políticos e ideológicos colocados nas antípodas ou por lá perto.

Eu e o JCF teremos quase tudo para divergir - na política, nos partidos, na religião, no clube de paixão, na forma de vestir a vida e de a exteriorizar ou interiorizar. Mas temos três aspectos em comum – o gosto pelas bandas da Serra do Açor, o sentido da solidariedade perante a injustiça (que nunca tem cor e é praticada, aqui e ali, em nome de todas as cores) e o prazer pela fruição dos puros (talvez daí, venha a antipatia, também comum, pelo ditador da ilha dos habanos que já não os fuma nem merece que antes os tenha fumado). Andámos pela mesma empresa e eu fiquei com uma dívida de apoio solidário para com ele que nunca vou poder pagar. Nem tenho de o fazer, porque isto são coisas que não se pagam. Tudo à volta da liberdade de expressão, coisa sagrada para ambos, e que, ao fim e ao cabo, acabou por ser treino para andarmos aqui pela blogosfera, cada um pelo seu canto. Ou que serviu de pretexto para retomarmos, noutro contexto e âmbito, uma via de expressão que nos foi oprimida.

Ele anda lá pelo partido do Manuel Monteiro (chiça, penico) e eu cá vou indo pelo anarquismo individualista da esquerda inconformada e renitente.

Gosto da forma lúdica, culta e multifacetada como ele constrói e alimenta o seu decano Fumaças. Não concordo com as cordas com que ele atrelou o seu blogue ao PND do Monteiro. Mas, pela voz livre e independente que ele revela, aprecio e não perco as suas tomadas de posição e que são inspiração para não me dogmatizar nas minhas (des)crenças e (in)certezas.

Vem isto a propósito de quê? Bem, do facto de constatar agora mesmo que ele, tendo colocado há pouco tempo um post que me pareceu pró-turco (em termos de adesão da Turquia à União Europeia), mas sustentado em argumentos, ter, com toda a naturalidade plural, transcrito uma reveladora posição dos “Repórteres Sem Fronteiras” e que atesta bem a quantas milhas a Turquia está ainda (registados os esforços adaptativos, que também existem) das regras mínimas do convívio democrático e do exercício da liberdade de expressão. Esta naturalidade com que ele coloca vários ângulos, é mesmo dele, JCF. Saúdo-o e por aqui me fico.
publicado por João Tunes às 23:10
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ALI, ADORAM-TE!

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O Presidente Zine Al Abidine Ben Ali, da Tunísia, foi reeleito para mais um mandato (o terceiro, depois de uma emenda constitucional para o tornar possível) com 94,48% dos votos. Entretanto, para o parlamento tunisino, o partido de Ben Ali recolheu 87,59% das preferências eleitorais. Tudo sob controlo – então - neste país da margem sul do Mediterrâneo. Os turistas podem continuar a desaguar lá. Os preços são acessíveis, um banho na ilha de Jerba é único, as pessoas são simpáticas, há muito para ver. Todas as agências portuguesas de viagem têm programas para este destino. Ah, e os islamistas radicais estão contidos e de que maneira, levam para tabaco quando são apanhados. Quem se opõe a Ben Ali de uma forma consistente, também, é verdade. Mas não há perfeição à face da terra.

No Egipto, mais do mesmo com Mubarak. E tudo está preparado para assim continuar com o filho de Mubarak, seu sucessor indiciado. E sobre o turismo em terras egípcias já me cansei de falar.

Idem com Marrocos, aqui com uma monarquia constitucional. A sucessão já faz parte da coisa mesma. Turismo acessível igualmente, recomendável desde que não se seja convidado pela PT.

Tudo bem no triângulo turístico magrebino. Uma mistura de protecção do Banco Mundial, do FMI, de Bush e da União Europeia, por troca de conterem o fundamentalismo islâmico. Os direitos de democracia a sério, esses ficam pelo caminho. Não se pode querer tudo. Tunisinos, egípcios e marroquinos, cidadãos ou empregados de hotelaria? A escolha não é fácil, isso não.
publicado por João Tunes às 17:09
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