Terça-feira, 21 de Dezembro de 2004

NEM PARA DÉFICE SERVEM

Imagens antigas 033.jpg

Se não servem sequer para atamancar o défice, metendo-lhe obras de engenharia imobiliária, servem para quê? Como dizia o outro: andeke!
publicado por João Tunes às 16:06
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

O NATAL ESTÁ QUASE AÍ

absurdo.jpg

Com o próximo Natal, chega também o segundo aniversário do meu estatuto social de desempregado. Somo agora alguma experiência do que é ser-se um pária da vida produtiva, vivendo da Segurança Social e do ordenado da mulher, desenvolvendo o engenho para não me sentir inútil em toda a acepção da palavra. O facto é que, pior que antes, agora é que não tenho mesmo tempo para o muito que acho que devo fazer. Mas, volta e meia, vem uma ponta de nostalgia por via deste caminho paralelo aos que têm emprego certo.

Vou-me lembrando que foi por escrever que aqui vim parar antes que o quisesse ou isso previsse. Resta-me o consolo (ou a vingança?) de continuar a escrever. Também os outros que não me deixaram no desemprego dos afectos.
publicado por João Tunes às 15:52
link do post | comentar | favorito
|

CONVITE

quit_canon_arr[1].jpg

Meti-me com o PND de Manuel Monteiro e não perdi pela demora. Acabo de receber convite formal do seu empenhado dirigente João Carvalho Fernandes para uma reunião da direcção daquele Partido. Ena pá! Pois aceito, sim senhor, que, em política, não se pode ser esquisito e quem tem, ou julga ter, convicções não deve temer o contraditório. Pelo contrário. E como o convite foi público, aqui fica a pública aceitação. Vamos ver no que vai dar.

E como a reunião deve ser no Portugal profundo - nada como um toque telúrico para eles, e eu, nos sentirmos em casa - meto já os pés a caminho.
publicado por João Tunes às 12:49
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|

O CUNHADÍSSIMO

Imagens antigas 004.jpg

Temos um ministro que sabe muito sobre Caudillos. Chama-se Sarmento. Percebe tanto de Caudillos que até tem um dicionário sobre eles. E consultou-o previamente, pelo que nos esclareceu, antes de chamar Caudillo a Jorge Sampaio.

Talvez o ministro Sarmento não saiba que os Caudillos têm cunhados. Quando têm irmãs é claro. É natural que, sendo um Caudillo um sujeito com muita importância e muito mando, os seus cunhados também sejam pessoas muito importantes e com mando razoável. É o caso do sujeito que está no meio da foto e que era cunhado de um Caudillo, tão importante, tão importante, que tinha o cognome de Cunhadíssimo.

Receberá o Prémio da Curiosidade, quem primeiro acertar na nacionalidade e no nome deste famoso Cunhadíssimo, qual a analogia usada para o cognome e que instrumento é que ele tocava na orquestra do poder.

(A ideia do concurso inspirou-se em que, nos tempos que correm, convém, quanto a cultura e não só, não ficarmos atrás dos ministros que temos, até porque a qualquer um pode calhar a vez de lhes suceder.)

Adenda: O Guedes, companheiro condómino aqui da Margem Sul, decifrou a adivinha em duas penadas. Parabéns. Prémio entregue. De facto, a alcunha de Cunhadíssimo atribuída a Serrano Suñer deveu-se a ser o homem que, politicamente, maior influência teve junto do Caudillo (pela graça de Deus, segundo o louvor oficial) e Generalíssimo Franco, nos primeiros tempos da ditadura e em que foi Ministro da Presidência. Suñer, embora com passado fora da Falange quando do golpe (vinha da direitista e católica CEDA), transformou-se na figura de proa do pró-nazismo em Espanha, foi o inspirador da Nova Falange e o mais acérrimo defensor da participação de Espanha no Eixo. Com as distâncias simpáticas de Franco relativamente à Alemanha, em grande parte inspiradas por Salazar, Suñer, a pouco e pouco, foi sendo relegado para papéis secundários. No após-guerra, Suñer tornou-se até num inconveniente dada a sua exposição pró-nazi.
publicado por João Tunes às 01:03
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|

BLOGUE PARA QUÊ?

capt.sge.mzx03.081204224908.photo00.photo.default-276x380[1].jpg

Blogar, num blogue individual, é uma solidão em rede que, com o correr do tempo, acaba por se transformar em meio vício, meio tormento. Nos primeiros seis meses, mais coisa menos coisa, ainda haverá o calor da chama da novidade e o prazer renovado da descoberta. A partir daí, a coisa começa a doer no alimento de carambola entre o afago do narcisismo e a auto-flagelação em não querer parar. Acabando por ser mais que tudo uma teimosia, que tanto é bem como é mal. Então apetece parar, largar o que nos prende com o travo amargo do vício. Depois, depois, vem ou não vem a recaída.

Estou a generalizar, eu sei, ou a extrapolar uma experiência individual. Permitam-me isso. Para facilitar as coisas. E por privilégio devido a quem já passou o ano de prática. De quem quis parar ao fim do ano feito e não foi capaz. Ainda não foi capaz.

Comunicar é sempre representar. Aqui, na blogosfera, comunica-se a esmo, em todas as direcções, uma ou outra conhecida (de amigos e compinchas), mas na maioria dos casos não sabemos nem quem nos lê nem o que de nós se pensa. Porque também o feed-back dos comentários e dos mails são face da mesma moeda. Neste caso, comunicar através da blogosfera é como nos metermos num pequeno palco e estarmos para aqui, sempre com as luzes apagadas, sem conseguir sequer ver os olhos e sentir a respiração de quem nos lê. Por esta comunicação ser uma representação, a interacção, quando há, normalmente dá exagero – ou estima em demasia para a sustentação real, ou embirração injusta. Talvez porque o teclado tenha qualquer coisa de prostituto que o torna maneirinho para a festa ou para a lambada. E, nestes casos, deitamos para o lixo as potencialidades deste meio veloz de comunicar transformando-o num baile de salão ou numa casa de zaragata. Claro que, com o tempo, vamos aprendendo as manhas dos descaminhos e dos empolamentos, doseamos as coisas, defendemo-nos afinal. Mas, depois, quando jogamos à defesa, a coisa ainda cansa mais. Porque, queira-se ou não, arrefecemos a emoção. E, sem emoção, isto é o quê? Nada, exagero desde já.

Como todas as regras, o que se disse tem excepções.

Não vou falar das más experiências. Já as esqueci. E as que ainda não sepultei, com o tempo lá se irá. Adiante. Até porque não me eximo de contabilizar culpas no meu cartório impulsivo, às vezes a puxar para o desbocado. Digamos que foram burrices ou inabilidades de parte a parte. Quites, pois. Mas seria despropositada, por inútil e por mesquinho, uma espécie de contabilidade de culpas.

Prefiro pensar no que a blogosfera me trouxe de bom e que não foi pouco. Primeiro, arrumei parte importante do baú da memória. Segundo, treinei a transpiração da escrita na ansiedade de um dia chegar à inspiração. Mas sobretudo, mais que tudo, fiz encontros e descobertas. Por exemplo, um compadre que nunca vira mais gordo nem mais magro, tendo-o topado e ele a mim, depois de nos conhecermos, saltou a faísca da cumplicidade amiga (daquela que não engana o algodão) como se tivéssemos andado a reinar juntos desde a primária e durante as voltas da vida, incluindo nas barricadas por valores, mas também, sobretudo, na forma de olhar e tentar entender as gentes vivas na forma como habitam os seus lugares de circunstância ou de procura. Também por aqui vim encontrar uma amiga querida, essa sim vinda lá dos fundos reais da juventude, a quem perdera o rasto há umas dezenas de anos, e por aqui ainda restamos a curtir o prazer da demora gostosa de combinar um reencontro que só pode ser coisa de arromba (como se costuma dizer, andamos na fase gostosa dos preliminares). Estes são dois exemplos apenas (e se os trago para aqui foi porque eles, mais coisa, menos coisa, disseram aproximadamente o mesmo lá nos seus sítios). Há mais, mas hoje não me estendo por aí para não lamechar a coisa ainda mais.

Feito o balanço, vale a pena estar aqui. Enquanto esta coisa me mantiver humano, mais humano se possível. Dando e recebendo. Nem melhor, nem pior. Isso mesmo, com os afectos em ordem. Esse o meu panfleto.
publicado por João Tunes às 00:32
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2004

CUIDADO COM AS IMITAÇÕES

Imagens antigas 009.jpg

Amizade é dar-se a mão quando o amigo precisa e está em difícil equilíbrio por ter metido a pata na poça. É o que fez Luís Nazaré para com o seu correligionário Jacinto Serrão, do PS/Madeira, contornando a peixeirada indecente, igualando-se a Jardim & Ramos, metendo-se por pormenores de parcialidade técnica da RTP-Madeira e ressaltando a coragem obscena do seu contendor. Em vez de apelar ao exemplo de exercício de cidadania política contra a chicana e a arruaça.

E Luís Nazaré esquece, e apela a cumplicidades nisso, que, assim, o PS se limita a universalizar o estilo Jardim & Ramos, clonando-os. E, sabe-se, qualquer cópia é sempre pior que o original. Além de que qualquer clone tem sempre um elevado risco de falhar quanto às hipóteses de sobrevivência.

Os madeirenses, e nós todos, merecemos melhor. Bem melhor. Dos políticos de lá e de cá. Assim não. Com amigos destes, o PS/Madeira nem precisa do Alberto João.
publicado por João Tunes às 20:23
link do post | comentar | favorito
|

A MALTA DO BLOCO CURTE BUÉ

be.jpg

O Daniel Oliveira, com a autoridade de dirigente do Bloco, espetou com 4 nãos, 1 sim que esclarece o que havia para esclarecer sobre a posição do BE.

Numa aristocrática posição arbitral à esquerda, arvoram-se o papel de distribuir cartões (vermelhos = 4) e 1 prendinha para quem se portar bem.

No fundo, não querem mais que brincar à política. Deixem-nos discursar, perorar, organizar performances, embirrar, arranjar entrevistas ao Louçã. Não sujarão as mãos na causa pública, não assumem responsabilidades de fazer, reservam-se para a crítica. Curtem, curtem bué.
publicado por João Tunes às 13:54
link do post | comentar | favorito
|

SOPA DO SIDÓNIO REQUENTADA

russell_kayaks[1].jpg

O que resta a um partido que teve 1% de votos nas últimas eleições? Pois, ter mais olhos que barriga. E representar a Virtude dos pequeninos.

A estratégia moralizante de defensor da virtude política sempre foi o trunfo que Manuel Monteiro e o seu PND tentou atirar para cima da mesa suja da política nacional. Leiam-se os seus discursos e os textos dos seus companheiros de jornada, e aquilo parece saído de um convento de Irmãs enclausuradas enquanto ainda virgens.

Mas, como se tem visto, não perdem pitada para se pendurarem nos comboios que lhes abram portas e os levem à estação do sujo poder. Oferecendo-se, é claro, como pessoal de limpeza das carruagens trazendo boa moral à causa pública.

O ressurgimento de Cavaco, para mais com o seu distanciamento partidário relativamente às origens, e também ele apostado em se afirmar como o Sumo Moralista, apareceu como a grande oportunidade de o PND encontrar patrono e estalagadeiro. Vai daí, a pensar-se que o mito de Sidónio tem mercado, foi um passo, sobretudo em fase que já cheira a pós-santanismo. Como se pode ver claramente aqui, onde Manuel Monteiro abre o jogo: ”passando Portugal de um regime semi-presidencialista para um regime presidencialista em que o Presidente da República seja também o Chefe do Governo”. Estando mesmo a ver-se qual o Sidónio Pais desejado, almejado e a quem se pede abrigo de manto.

A extrema-direita sempre se apresentou, na sua fase emergente, com a característica de bramar, em nome das mãos limpas, contra os males da democracia, contrapondo-lhe a autoridade, a disciplina e a concentração do poder. Isto, até chegar ao poder. E depois? Depois, como qualquer poder concentrado e musculado, soltam-se os cães e conserva-se o poder. Mais que visto. Em Portugal, então nem se fala. Não é nada necessário chamar Le Pen para a conversa.
publicado por João Tunes às 12:14
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|
Domingo, 19 de Dezembro de 2004

FANTASMAS?

temp2[1].jpg

Sob o título “O Espectro do Bloco Central”, o Manuel Correia (cujo regresso às lides se saúda) postou sobre as questões cruciais das políticas de alianças e do fantasma do regresso à fórmula do Bloco Central. E levanta questões pertinentes sobre os bloqueios que incapacitam entendimentos à esquerda.

De facto, e apesar de muito badalado, não acredito num entendimento PS/BE, mais por parte dos bloquistas e para não perderem o património do seu crescimento moderado que, aos olhos do Bloco, permitem conservar radicalidade e poder de atracção. Quanto ao PCP, as possibilidades nunca estiveram tão afastadas como agora, retomando-se a velha dicotomia revolução/contra-revolução. E com uma campanha da CDU a transformar o PS em bombo de festa, com propostas datadas em 1975, como se augura pelos primeiros passos da pré-campanha, então tudo tenderá a piorar. Aliás, se o PCP desistiu, de facto, de tentar inverter o declínio eleitoral, procurando conservar a maior parte dos cacos da loiça partida, é porque a opção por responsabilidades de governação foi afastada.

Com a alternativa de esquerda (em termos de governação) reduzida ao PS, com ou sem maioria absoluta, torna-se confuso o que vai sair daqui. E não vejo que se possam afastar os cenários levantados por Cravinho e lembrados pelo Manuel Correia. Nem uma ingovernabilidade que leve à reedição do Bloco Central (com o PSD de volta à cátedra, pelo menos, de Cavaco), nem a hipótese, teórica mas não descartável, da deriva presidencialista, sob o mando (e manto) messiânico do Professor Cavaco.

E tudo pode passar pela tendência de Sócrates em deslocar-se para a direita, sentando-se no eleitorado “social-democrata” (chamemos-lhe assim) que foge de Santana e de Portas. Num quadro em que as alianças de esquerda se impossibilitam, o PS só se aguenta no balanço com uma política de esquerda, mobilizando a esquerda, e neutralizando, assim, a oposição de extrema-esquerda. O problema está também na disponibilidade também do PS (mais do que a de Sócrates) em preferir um perfil de esquerda à mera contabilidade comezinha da distribuição do poder, dos poderes e dos jobs. Para mais, quando a facilidade com que a direita se desacreditou promete entregar-lhes o poder de mão beijada. Ou seja, em que medida o PS profundo vai puxar Sócrates para a esquerda ou para o centrão. E o guterrismo, se é que faleceu, não desapareceu há tanto tempo que a memória não o tenha bem presente.
publicado por João Tunes às 23:49
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

VIRA-CASACAS

picture1[1].jpg

Inevitável o vira-casaquismo de que fala o Jumento. O que não o torna menos repulsivo. Valadares Tavares existem aos pontapés. Daqueles que se orientam pelo cheiro do poder. Não têm cor nem sabor, mas cheiram. Mal. Muito mal.

O problema não está nos vira-casacas, está em quem os permite (ou até os chama para) comerem à mão. Neste caso, Sócrates esteve mal. Muito mal. Mas, e gostava de me enganar, aqueles que já se vêem com a arreata do poder a meter-se-lhe pela mão dentro, não os creio com capacidade de sacudir os cavaleiros furta-cores de se chegarem à montada e treparem-lhe para cima. E o mais que estaremos cá para ver.
publicado por João Tunes às 21:55
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. COMPLEXOS DE ESQUERDA

. ONDE MEXE MEXIA?

. AGORA

. ...

. SIM, ZAPATERO

. AO MANEL

. DESGOSTO ANTECIPADO

. CHISSANO ARMADO EM SPARTA...

. DOMINGO ANTECIPADO

.arquivos

. Setembro 2007

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds