Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2005

ELEIÇÕES (1)

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Ah se eu já tivesse idade, gostava de votar por correspondência. Seria como escrever ao Pai Natal.
publicado por João Tunes às 17:07
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PELA MEMÓRIA

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Finalmente, na SIC, a série “Até amanhã, camaradas”. Dizem que a obra está mais que asseada. Se assim for, um documento imprescindível para conhecer a outra face da vida no fascismo. Claro que lá não poderão faltar os estereótipos da vida então vista do outro lado. Que talvez não sejam assim tantos que cheguem para contrabalançar os outros preconceitos do lado oposto e que vão branqueando o preço pago para termos esta liberdade. Liberdade, de cuja ausência total, só podendo gerar contrapontos, não nos é tão velha assim. O nosso passado numa memória. E nada como viver com a memória inteira. Sobretudo à atenção dos que, felizmente, nasceram (ou tomaram consciência de si) em democracia.
publicado por João Tunes às 13:30
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A VERDADE E A MENTIRA DAS SONDAGENS

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Uma sondagem com boas novas é uma boa sondagem.

Uma sondagem com maus resultados é uma fraude.

Uma sondagem com números péssimos é uma mega-fraude.
publicado por João Tunes às 13:17
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BASKET

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Um velho e grande desporto, que é também um dos mais emocionantes espectáculos competitivos.

A recordar, com dedicatória especial ao "nosso espanhol", mas "bem português", Sérgio Ramos, que, depois de uma lesão gravíssima, já voltou em grande forma a encantar e entusiasmar com o seu talento e vontade, ao serviço da equipa catalã de Lleida (Liga ACB). Campeão é sempre campeão.
publicado por João Tunes às 12:53
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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2005

CAMPOS DO MAL ABSOLUTO (3)

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Não encontro melhor para fechar (*) a triste efeméride de hoje que ler aqui esta “confissão” de identidade integral de um alemão lúcido a viver entre nós. Vénia, pois.

(*) Fechar? Ou abrir? Talvez abrir, até que consigamos fazer o mesmo com Tarrafal, São Nicolau e Machava.
publicado por João Tunes às 18:12
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SIMÃO VIL ESTRAGOU O BRILHO AO PAÍTO BOM

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Dedicado ao João Abel Freitas, amigo e prezado companheiro (da blogosfera, mas não só) porque, assim, calado que nem um rato na euforia futebolística, ele não tresmalha do caminho da serenidade e da sapiência na boa hora de expor medidas de racionalização necessárias à boa função da Administração Pública.

Há dias assim. Quantas vezes, a quebra de carácter sucede à breve mas vibrante euforia? Mas é. Acontece. Sem explicação, apenas porque acontece. E se acontece é porque é. Hoje, amanheci com um sentimento de remorso. Eu sabia, isto vai-me acontecer um dia. E foi.

Hoje, ao contemplar nostalgias trágicas derramadas em rostos à hora do café matinal, lembrei-me que afinal eles existem, esses outros que vestem às riscas como se um relvado fosse lugar indicado para andar a correr com o pijama vestido, não são só na arrogância provocatória a viver mais das minhas derrotas e vergonhas que dos seus feitos, armados em viscondes da jogatana mas mestres únicos no sofrimento disfarçado com maneiras de elite e a esconder, na bainha do cachecol, o punhal de gandulo. Revelando que é essa a sua identidade, desejada ou não, de gandulos mesmo, como os saídos do extinto Café Aviz, ali nos Restauradores, ou para comemorar feitos ou para dar com a matraca nos subversivos da liberdade, para mais na Avenida com esse nome.

(nunca me esquecerei que, das maiores porradas que apanhei na minha vida, daquelas de ficar ali enroscado no chão e só preocupado em proteger a tola, a maioria vinha dos gandulos aquartelados no Aviz, quartel general do Cazal-Ribeiro e de tudo que era ultra, verdes de serem legionários e não só, embora esta lembrança seja só referência da parte folclórica da memória e, por isso, benigna no cristal do ressentimento)

Ao ver a tristeza melancólica substituir a basófia preparada para o foguete da fava contada, vi-me possuído por um enorme sentimento de culpa. Sobretudo, por observar como a grandeza arvorada se estende tão facilmente ao comprido. Só ultrapassei isso pela relativização e pela expiação através de treino de isenção. Afinal, uma compensação e não mais que isso. Porque não seria capaz de dar com uma matraca a alguém caído ao chão, fosse por inépcia, por azar ou por defender o que não devia e no sítio errado. E pelos outros, senti o seu desconsolo como se de primos meus fossem, condição que nunca serão por não merecimento. Pois, passou-me breve a alegria, e, como a desforra não me anima, tive pena deles e de a sorte me bafejar, metendo-os ao léu do desânimo numa noite tão fria.

Esta subida ao céu da superioridade, traz um apelo de grandeza que nos induz à indulgência, até a sermos magnânimos. Por isso, confesso estas duas sentenças sinceras:

- O golo do Paíto (bravo moçambicano, filho do Moçambique que tanto estimo) é um momento único de hino à beleza possível e máxima do futebol e à vontade indómita de ganhar, onde não se percebe o que é maior - o génio do talento ou a vontade irreverente de resolver.

- O Paíto não merecia a vingança do vil Simão (bravo patrício meu, da banda de Vila Real), porque é muito triste e feia esta desforra entre génios, pior ainda ver um génio veterano, com talento tirado da manga da inveja, a matar de ferro frio e largo um génio irmão mais novo, no preciso momento em que este se revela em talento feito vontade.
publicado por João Tunes às 16:49
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CAMPOS DO MAL ABSOLUTO (2)

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E não resisto a também trazer para a ribalta este diálogo registado da caixa de comentários a um meu post de há dias:

Manuel Correia:
”Lembro-me que, ao lado e em baixo, numa das capitais da cultura alemã, havia quem fizesse por não ver... Quando lá fui, em 1999 (Capital Europeia da Cultura) havia «ainda» uma suite reservada para o Adolfo. Fiquei estupefacto. O que eu tinha ainda para aprender...”
Lutz:
”Estou chocado! Onde? Se isto for verdade, e não um malentendido seu – desculpe lá que coloco essa hipótese, mas parece-me tão incrível - então isso tem que ser dito bem alto e fazer escândalo! Um Hotel? É preciso denunciá-lo!”
Manuel Correia:
”A ascensão política e eleitoral de Hitler está ligada a Weimar, por via da malograda República do mesmo nome. Quando Hitler ia a Weimar, ficava no Hotel Elefante (anteriormente chamado Elefante Branco, ao que parece). O Hotel foi, mais tarde, reconstruído pelo poder nazi (correu que Hitler deu instruções precisas a esse respeito). O Furher proferiu alguns discursos de uma varanda do mesmo hotel, para a praça fronteira.Há fotos, filmes e gravações várias a esse respeito. Bem vê, a história da suite «eternamente» reservada para o furher (já) não «espanta» muito. Eu é que não a conhecia. Há alemães em Weimar que continuam a venerar aquele que associam, com uma nostalgia horripilante, à queda do império germânico, ao declínio da supremacia ariana, etc. Mas, como sabemos, saudosistas há-os em todo o lado. Se telefonar para o Hotel Elephant ou consultar a respectiva página de reservas na WWW, verá que a preferência de Hitler continua a ser assinalada como uma distinção importante e de carácter descaradamente promocional. Se, por absurdo, for a Weimar, entrar no Hotel Elephant e perguntar se pode reservar a suite «eternamente» reservada ao furher, o recepcionista, como calcula, estará a par de que Hitler não virá nunca mais. Se insistir, pode ser que consiga a tal suite por uma tarifa mais alta. Ossos do ofício, e do turismo. A mais ou menos 5 ou 6 Km de Weimar, no Campo de Concentração de Buchenwald (que o nosso anfitrião visitou e refere no post que desencadeou a nossa conversa), a polícia tem de apagar, de vez em quando, inscrições de bandos neo-nazis.”
Lutz:
”Obrigado pela informação. Fico enojado, mais ainda, porque acabei de perceber que o remédio, que tinha imaginado, ou seja publicitar o facto vergonhoso, teria o efeito contrário do que o pretendido, isto é, melhor negócio para o hotel ainda. Vou ver se encontro a página (ainda não encontrei a própria página do hotel), e se encontro algum indício de públicidade com o "Führer" nela, mandarei pelo menos uma queixa ao hotel mesmo e à câmara de Weimar. Cumprimentos envergonhados.”
publicado por João Tunes às 12:44
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CAMPOS DO MAL ABSOLUTO (1)

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Fui parar a um elucidativo diálogo na caixa de comentários do Lutz que mostra como ainda é complicado, e a esta distância, entender a culpa pela forma como se descamba, de vez em vez, em actos de mal absoluto. Tomo a liberdade de transcrever esta conversa de vizinhos dado que ela está metida na “cave” de um blogue, com mérito para subir à praça (acompanhado do devido pedido de desculpa pela bisbilhotice):

Lutz:
“No Água Lisa. O João Tunes lembra o sexagésimo aniversário da libertação dos campos de concentração alemães. E outros campos. E fala da vergonha que ele sentiu em sua face, que é a minha e a de todos nós. Faz-me bem ver-me acompanhado nesta vergonha por ele e por outros que a sentem também, essa nossa vergonha enquanto humanos que sentimos para aqueles que deviam senti-la mas não a sentem...”
O Raio:
“Os campos de extermínio alemães não têm nada a ver com o povo alemão. Tal como os do Cambodja não tiveram nada a ver com o Cambodja. Campos de extermínio e outras brutalidades são provenientes de circunstâncias concretas e independentes dos povos onde ocorreram.
Também em 1936, na Guerra de Espanha se dizimaram milhares e milhares de perssoas e isso também não tem nada a ver com os espanhóis. Mais uma vez são as circunstâncias, " a ocasião faz o ladrão".
Actualmente em que, com a União Europeia, se tenta repetir, agora à escala continental, o processo de unificação alemã de 1870 estamos a abrir novamente as portas à barbarie. Não nos esqueçamos que aquele processo esteve na origem de três guerras (uma no Século XIX e duas no XX). Repeti-lo é a loucura completa.”

Lutz:
“Discordo, Raio: Os campos de extermínio nazi têm tudo a ver com o povo alemão! Foi ele que permitiu a chegada ao poder dos nazis, foi ele que desviou os olhos quando estas bestialidades foram cometidas.
Se quiseste dizer que não há nada que geneticamente dispõe o povo alemão para esses crimes, mais do que outro povo qualquer, concordo. Também não defendo a culpabilização colectiva. Cada indivíduo, membro do povo, tem a sua culpa individual, na medida do seu envolvimento, da sua cobardia, ou não a tem, por ter sido legitimamente irresponsável - por exemplo como criança - ou por ter resistido.
Agora como isto aconteceu na Alemanha, e não noutro país, o povo alemão tem uma responsabilidade acrescida de ser vigilante. E como Alemanha também é um estado, que continua a existir, com relações, direitos e deveres internacionais, herdadas dos estados alemães anteriores, tem que assumir a responsabilidade deste passado também...
O que não me parece fazer sentido, é deduzir os campos de extermínio da unificação alemã de 1870. Isto é, peço desculpa, um perfeito disparate, tal como as analogias para uma eventual unificação europeia!”

O Raio:
“Extermínios houve no Cambodja, Espanha, Ruanda, Jugoslávia, China (da autoria dos japoneses), Turquia (arménios), Congo (belgas), etc., etc.
Se a ocasião for propícia podem existir extermínios em qualquer lado.
A forma como foi feita a unificação alemã foi um caldo de cultura para o imperialismo que conduziu ao nazismo e ao extermínio.
Existem óbvios paralelos históricos entre a unificação alemã do Século XIX e a formação da União Europeia.
Só isto devia-nos levar a estar vigilantes. O perigo não vem da Alemanha, o perigo vem da União europeia, império multinacional em formação.”

Renegade:
“Bom, tudo isso parte de pressupostos essencialistas e unicitários sobre os "alemães" e os "espanhóis". O "povo alemão" é uma realidade tão concreta e descritiva como o povo hobbit do Tolkien. Ou seja, é errado usar isso para tentar perceber o holocausto.
Eu fui a Auschwitz e acho que é uma experiência duríssima e salutar ao mesmo tempo. O confronto com o horror é uma grande escola humanista.”

Lutz:
“O conceito do povo é, de facto, muito problemático para compreender o holocausto. Mas queiramos quer não, ele tem relevância, porque existe. Se um grupo de pessoas se acha pertencente a um povo, este povo existe. E há muito mais do que o simples sentimento de pertença. Outra coisa é entender povos como sujeitos e agentes históricos: O povo quer, o povo faz...
Interessante no caso do holocausto é ainda que muitos alemães acabaram por morrer em Auschwitz porque outros alemães entenderam que eles não pertenciam ao povo alemão, mas ao judeu, um facto que para eles já tinha perdido qualquer significado, antes de este lhes ter sido lembrado tão drasticamente.”

Putz:
“Por essa lógica, Lutz, acho que um povo que se permite viver sob um regime autoritário com laivos de fascismo durante 48 anos deve ser porque somos todos neo-fascistas de esquerda centro e direita, não?”
Lutz:
“Claro que não todos, "Putz", e em termos de culpa qualquer indivíduo naturalmente só é responsável pelos seu próprios actos, mas se um povo é um grupo de pessoas, que partilham um sentimento de pertença, e ainda um conjunto de referências históricas, culturais, língua, e também valores - estes últimos naturalmente num espectro muito heterogéneo -, se isto é um povo, como entendo que é, e se verifico que este povo vive muitos anos sob um regime ditatorial não imposto por fora, então este regime e o povo tem algo a ver um com o outro.”
publicado por João Tunes às 12:40
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2005

A VOLTA DE ANIBALZINHO

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O crime contra o jornalista Carlos Cardoso não pode ficar impune. Porque, ao assassinarem-no, também um bocado da liberdade do povo moçambicano foi assassinada.

Parece que Anibalzinho regressa às prisões moçambicanas, pelo que li aqui. Esperemos que volte para ficar.
publicado por João Tunes às 23:39
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DIA DE MÁSCARA

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Sem esperança nem fé. Mas com toda a vontade da paixão. Se se tem uma máscara, há que usá-la. Hoje é dia. Seja o que se quiser ou o que calhar. Porque Taça é Taça, faça favor de passar o melhor. Haja festa ou choro. A máscara, essa, fica sempre. Não me aceito sem ela.
publicado por João Tunes às 17:14
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