Domingo, 30 de Janeiro de 2005

A CAPITAL PARA ALMEIRIM ?

Imagens antigas 039.jpg

Não sou de leituras exaustivas aos jornais. Folheio, prendo-me aqui e acolá, dobro-o quando os sentidos me indicam satisfação do cheiro e do tacto com o papel. E deixo segunda e terceira volta para mais tarde. Que, na maior parte das vezes, não chega a acontecer. Porque se perdeu a atracção pela frescura do jornal para descobrir. Assim, por estas e por outras, é que nunca passarei de bacharel de leituras.

A notícia que mais me surpreendeu esta semana é que a partir de muito em breve, o Norte se liga ao Sul, e vice-versa, sem se passar por Lisboa. Porque vai ser inaugurado um novo troço de auto-estrada que torna possível correr o País e dispensar a sua capital. O que, no meu caso, me afasta do circuito dos meus patrícios que ligam o País de uma ponta à outra. Agora, para quem desce, desvia-se em Santarém, ruma a Almeirim, ladeia e ultrapassa o centro do império, na Marateca toma o caminho ao reino dos Algarves. Uns euros mais em portagens mas muitos quilómetros poupados. Feitas as contas, claro que compensa. Sobretudo para quem tem pressa. E neste abreviar e desviar, as culpas passam a pertencer a Almeirim, afinal a chave para este evitar Lisboa. Nome pois a fixar, pois se amanhã desviarem a capital de onde está, plantando-a numa área de serviço da auto-estrada, a culpa tem nome para se sentar no banco dos réus. Almeirim, esse mesmo nome. Agora a não esquecer.

Arrumados os quilos de papel de fim-de-semana, já ensacados e prontos a seguirem destino fatal, o net-rato de pesquisa de partilhas de olhares, leva-me até aqui. E é então que eu percebo, a tramóia do tal novo percurso da auto-estrada norte-sul-norte a evitar a capital. Pois, está-se mesmo a ver. Isto foi manigância conspirativa do Carlos Gil a querer que os patrícios não se distraiam com a grandeza pobretana dos alfacinhas, levando-lhe para a mesa da conversa, tudo o que temos para dar em sonhos imaginados. Sendo assim, concordo. Levem a capital para Almeirim, levem. Antes abancar à mesa de um patrício de sonhos largos e bem conversados que um Terreiro do Paço cheio de incompetentes inchados. Mais dia, menos dia, isto tinha de acontecer. Em vez da barriga vazia com o défice do Orçamento, este País havia de engordar com comezaina de sopa de pedra. Não há fome que não dê em fartura, é o que é.
publicado por João Tunes às 23:58
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3 comentários:
De Joo a 1 de Fevereiro de 2005 às 23:46
Malgas algumas, pedras mais que muitas... que a fradaria não é de dietas. Com mais convivas, nada como um abaixo-assinado com marcação de local, dia e hora. Uma dúvida: Almeirim tem comboio?


De IO a 31 de Janeiro de 2005 às 11:00
Kontem komigo! e Abraço guloso aos dois_ uma que vai de comboio.


De Carlos Gil a 31 de Janeiro de 2005 às 03:19
Afinal, são mais quantas malgas para a mesa? E quando?


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