Segunda-feira, 10 de Janeiro de 2005

O FABRICANTE DE MULHERES

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Lá fui, na inércia do rito de fidelidade, cumprir presença na Melinda, o último Woody Allen. Confesso que já o vejo por automatismo. Uma boa hora e meia na companhia com boas palavras, boas imagens, bons actores, arquiva e venha o próximo.

Woody está gasto. Se calhar, esteve sempre. Mas, repetindo-se, nota-se mais. E, no entanto, qual o fio que nos une, puxando por mim? Talvez o olhar por dentro para dentro, por ventura o consolo de saber que, se nos descomplicamos, complicamos tudo. Ou, melhor dizendo, saber que andamos a transportar um prisma com muitas faces e que não há forma de todas as ver, restando-nos o prazer de o sabermos, nunca lhe dando nem luz nem sombra em demasia, o que é um tranquilizante bem melhor que emborcar um químico, convenhamos.

Melinda é tão fraco filme como os outros dele. Disse e repito. A não perder, também. Como todos. Com um começo e um fecho de arrepiar, pela mediocridade. E esta é a grande novidade. Má novidade, no caso. Sobra-lhe o meio e aquela mulher. A Melinda. Mais uma mulher à Woody. Fabulosa como as outras. Estas, se calhar, e para o meu gosto, melhor, ainda melhor. Talvez por ser mais louca e menos escondida. E, exactamente por isso, mais mulher. Ou mais que se lhe diga, o que vai dar no meu mesmo.

Por este andar, vou passar a fazer com os filmes do Woody aquilo que nunca de deve fazer (nem sequer devia ser permitido) – entrar atrasado e abalar antes do fim. Seja como for, apanhas-me na próxima. Certo e sabido.
publicado por João Tunes às 15:31
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1 comentário:
De Welli27 a 4 de Dezembro de 2005 às 03:19
Não sei se entendi seu comentário;
ainda não pude ver Melinda (por pura falta de tempo e, de certo modo, por saber que nem preciso ter pressa... na certeza, de quando vÊ-lo ser por ele envolvido)
Woody Allen errou uma única vez em "Dirigindo no escuro", em que às vezes chego a ter a impressão de que quis fazer algo metalinguístico e errar na direção. no entanto, quem fez DESCONSTRUINDO HARRY, TODOS DIZEM EU TE AMO, "Poucas e Boas", MANHATTAN 1979, e Annie Hall teria crédito para errar caso conseguisse errar de novo.


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