Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2004

CHORADINHO DO BEBÉ CHORÃO

werbebild[2].jpg

O santanismo é, sempre foi, uma simplificação. Em termos políticos, será sempre a arte de tornar o exigente, o complexo, o difícil, o vasto, o projecto, o desafio, num axioma traduzido num slogan que desperte emoção. Como ciência de lidar com o real, é uma vulgata de marketing de atracção pela simpatia. E isto é o melhor do santanismo. Porque o pior, o mais profundo do santanismo, são os interesses que passam silenciosamente na zona sombria do palco - os que se governam com Santana e que nunca seriam o que são através da exigência, do rigor e da transparência. Usando a capacidade de Santana atrair holofotes para dar margem de penumbra. Que oferece drama e comédia de entretenimento para que os coronéis dos interesses se amanhem, compondo o cinto nas suas barrigas impacientes.

Por ironia de imagem, Santana foi despedido no dia em que resolveu aparecer em Belém com um dossier debaixo do braço. O que, a estas horas, já deve ter confirmado, perante o íntimo de Santana, o azar que lhe dão os dossiers. O que é uma forma de dizer, porque ninguém me tira a convicção de que Santana, desde o primeiro minuto em que se viu investido em Primeiro, esperou impaciente o momento em que Jorge Sampaio não o ia suportar em tal cargo. E aquele ar abatido, solenemente abatido, representado, com que Santana arrastava o ridículo e o absurdo de ser Primeiro, era apenas a antecipação da vitimização quando se tornasse insuportável, mesmo para a capacidade de paciência conciliadora do Presidente da República. Finalmente, o desejado tornou-se inevitável.

A campanha de Santana e do PSD, vai ser a mais primária de todas as campanhas. Pior que a da tanga de Durão. Santana, sabendo que nunca convencerá através do projecto, fará o melhor que sabe o papel de vítima. No caso, com ou sem incubadora, fará o papel de bebé chorão apelando ao instinto maternal da mamada extra de votos para lhe acalmar o mimo. E o homem que lhe permitiu ganhar a lotaria de, por meses, ser Primeiro, vai ser o bombo da festa. Simples. Indigente. Em demasia.
publicado por João Tunes às 16:04
link do post | comentar | favorito
|
2 comentários:
De toix a 7 de Dezembro de 2004 às 06:40
Pois é, Bravo Mike, parece que vocemecê não sabe a massa de que é feito este povo!


De Bravo Mike a 6 de Dezembro de 2004 às 22:16
Boa, essa do bebé chorão.
é para o avõ e para o bebé, portanto.
M'espanto é como o põvo laranja continua a aplaudir o artista da Figueia. Nacional masoquismo?
Agora que a crise tinha acabado...


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. COMPLEXOS DE ESQUERDA

. ONDE MEXE MEXIA?

. AGORA

. ...

. SIM, ZAPATERO

. AO MANEL

. DESGOSTO ANTECIPADO

. CHISSANO ARMADO EM SPARTA...

. DOMINGO ANTECIPADO

.arquivos

. Setembro 2007

. Fevereiro 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds