janeiro 13, 2005

SEMPRE O METEDIÇO DO BOGART...

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Os excessos pagam-se. Ou os somatizamos, com os juros da cobardia que nos sai do corpo sem dele querer sair, ou passamos pela vergonha de desfiar arrependimentos e promessas de não reincidência, que são sempre fragilidades expostas, e que são piores que uma perna atropelada em maca de serviço de ortopedia. E tudo que a imaginação arraste, só agrava a situação já de si delicada.

Tive um acesso de ciúme adolescente retardado que aqui estendi. Metendo-me com um dos mais serenos e pacatos (de argúcia) companheiros de bloganço. Ele quis-me gamar a Ingrid, dela se apropriando, e se o sangue ferve, há que aproveitar a onda, donde lhe chamei de tudo e mais alguma coisa. Ameacei-o até. Sempre na linha dos tais fervores adolescentes a tentarem condizer com a disputa do olhar da Ingrid. Porque merecer olhá-la exige pedalada de cavalheiro audaz.

E o doutorando, responde-me olimpicamente: Quanto à Ingrid, controle-se homem, que havemos de fazer senão partilhar com o Bogart aquele olhar?. E eu embucho. Em vez de tirar casaco e gravata, alargar dois furos no cinto, subir mangas de camisa para mostrar músculo, fazer uns pequenos exercícios de pressing aeróbico como treino de intimidação, o companheiro WR, olimpicamente sorriu (não vi mas li) e, altaneiro, propõe-me comunhão com o Bogart na fruição da bela Ingrid.

Acalmei. Que outra coisa podia fazer? Bolas, se ele traz o Bogart como guarda-costas de colação, como me vou aguentar com os dois? Será que a sueca, mesmo belíssima, merece luta tão desigual? Todo feito num oito e a morder o pó, então é que a Ingrid, nem por compaixão, me daria sequer uma moeda de cêntimo tirada das faíscas dos seus olhos únicos. E quem sabe, supremo desprezo, replica uma beijoca mais no sortudo do Bogart (e, nós sabemos, nunca existiram beijos como os do Bogart com a Ingrid, e vice-versa, daqueles que sempre tentámos e nunca conseguimos com a mais quente das nossas namoradas).

E pergunto-me: que pode fazer, perante isto, um cobardola como eu, em estado mais que acobardado? Nada ou muito pouco. Talvez sim. Lembrei-me agora e vou dizer: a Ingrid nunca teria sido Ingrid sem o Bogart. O que, se me exclui da ambição, também tira o WR do relvado. Uff! Posted by joao.tunes at janeiro 13, 2005 10:53 PM
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Lembrar-se de mim?